A melhor rede de proteção

A melhor rede de proteçãoFoto do Flickr (CC).

 

Todo mundo quer ter uma rede de proteção, certo? Por isso que a gente guarda dinheiro para os momentos de dificuldade. Mas, dinheiro, propriedades, ações e coisas do gênero podem mesmo ser consideradas redes de proteção? Afinal, qual é a melhor rede de proteção possível?

Esse assunto é importante para mim porque valorizo a liberdade. Felizmente tenho liberdade para fazer o que quiser atualmente, em função da receita dos meus negócios e das minhas reservas. Isso é suficiente para sustentar minhas necessidades sem que eu precise ter um emprego que me force a ficar confinado em um escritório durante várias horas do dia.

Por mais que aprecie as coisas assim, a verdade é que tudo pode mudar repentinamente. O negócio pode ir mal, assim como o mercado pode mudar e levar tudo por água abaixo. E aí, o que pode ser feito?

Se eu tiver um colchão financeiro, poderei manter minha liberdade, pelo menos por um tempo, mesmo durante momentos de dificuldade. Quanto maior for esse colchão, mais tempo poderei sustentar minha liberdade. Mas, convenhamos, há um limite de tempo que o dinheiro é capaz de comprar se você não estiver mais ganhando nada por alguma razão.

E esse nem chega a ser o pior cenário. O colchão financeiro pode sumir da noite para o dia, do nada. Isso aconteceu tantas vezes na história, com tanta gente, que não deveríamos nem ter que lembrar disso. Pegue a crise financeira de 2008, por exemplo, apenas para citar um exemplo no qual muita gente perdeu todas as economias que tinha.

Acredito que é importante ter alguma reserva financeira para os momentos de dificuldade. Mas, não acho que tenhamos que confiar apenas nisso. De fato, acredito que essa não deveria ser a nossa rede de segurança, para começo de conversa. É apenas um mecanismo de proteção de curto prazo bastante importante.  Mas, há ocasiões em que não é suficiente.

Em tempos de guerra, por exemplo, o dinheiro vai embora rapidamente e não necessariamente é capaz de te tirar da loucura generalizada. Então, de novo, em que devemos confiar?

Pensando nisso, cheguei a conclusão de que habilidades e relacionamentos, juntos, são a melhor rede de proteção disponível. Quanto mais os desenvolvemos, mais seguros estamos no longo prazo, não importa o que aconteça a nossa volta.

Digamos, por exemplo, que você criou uma empresa e conseguiu torná-la bem sucedida. O que acontece se você perder tudo? Talvez você fique desiludido por um tempo, mas eventualmente vai perceber que é capaz de construir tudo de novo. E provavelmente vai ser mais fácil do que foi antes.

Isso porque você desenvolveu habilidade e relacionamentos. Eles te ajudarão a sair do problema e construir uma solução. E você conhecerá pessoas que poderão te ajudar ao longo do caminho. Mesmo em tempos de guerra, se você tem habilidades e conhece muita gente, suas chances de escapar aumentam significativamente.

Compare isso a uma pessoa que passa os dias assistindo TV, que tem muito dinheiro no banco, poucas habilidades e poucos relacionamentos. Em momentos de dificuldade, se a pessoa perde tudo, como ela se safa? Sem habilidades e sem amigos, é bem mais difícil.

Tenho sorte de ser brasileiro. No Brasil não temos guerra, mas estamos em crise desde sempre. Quer dizer, tivemos momentos melhores recentemente, mas até quando isso vai durar?

Já vi esse país passar por tantas crises financeiras que até perdi a conta. Elas são uma rotina. De certa forma isso é bom, porque quem está atento aprende. Aprende a não confiar no governo, nos bancos, nas empresas ou seja lá o que for. Aprende a confiar em si mesmo e em seus relacionamentos.

Permita-me citar um exemplo das loucuras que já vi no Brasil. Em 1990, um novo presidente chegou e decidiu que estava na hora de acabar com a inflação de uma vez por todas. Como? Congelando todas as contas bancárias por um ano e meio. As pessoas poderiam retirar até 1.500 unidades monetárias uma única vez e pronto. Quer o restante? Aguarde um ano e meio.

Quer acabar com a inflação? Fácil, mate a própria economia e a inflação não será mais um problema. Funcionou. A inflação se foi levando consigo muitas empresas, empregos e vidas. Muita gente se matou ao perceber que não conseguia achar uma saída.

É uma história bem drástica. Aconteceu há pouco mais de vinte anos e mostra quão incompetentes os governantes brasileiros podem ser. Mas, eles não estão sozinhos. Dez anos depois a Argentina segui pelo mesmo caminho do confisco com consequências desastrosas. O país ainda não se recuperou. E, claro, não preciso nem citar a estupidez generalizada das nações ditas desenvolvidas tão bem exemplificada pela crise de 2008, que foi tão catastrófica que faz os governantes do Brasil e da Argentina parecerem inteligentes.

Histórias como essa acontecem repentinamente. Às vezes existem indícios. Outras vezes é  completamente imprevisível, como no caso dos desastres naturais. Então, o que podemos fazer? Acho que devemos estar sempre preparados.

Primeiro porque teremos melhores condições de enfrentar os momentos de dificuldades. Mas, também porque é muito mais interessante viver uma vida onde estamos sempre aprendendo e aperfeiçoando nossas habilidades. E, claro, fazer amigos e aprimorar relacionamentos é divertido e muito recompensador.

E você, o que pensa? Existe uma rede de proteção melhor?

Problemas de startups

Problemas de startups

Photo: Gisela Giardino (CC)

O que torna difícil criar uma start up de sucesso? Na minha opinião, habilidades ou, no caso, a falta delas.

Já que sou um desenvolvedor de software, criei uma empresa de software e eventualmente um produto. Mas, ser um cara de software é suficiente para que operar uma empresa de software? Bem, não exatamente.

Acredito que o sucesso ou a falha de uma empresa tenha pouca ou nenhuma relação com o que os fundadores sabem fazer bem. O que realmente importa é justamente o que eles ainda não dominam. É tudo o que está fora da zona de conforto.

Como um desenvolvedor de software, consigo realizar inúmeras atividades técnicas suficientemente bem para ter um produto rodando há anos, com pouca ou nenhuma necessidade de manutenção técnica. Isso é fantástico. Mas, está longe de ser suficiente.

Há inúmeras áreas extrememante importantes que não domino bem. Elas representam uma espécie de zona de desconforto para mim. Em função disso, tenho a tendência natural de dedicar meu tempo a tarefas que são de natureza mais técnica, já que essas fazem parte da minha zona de conforto.

Por exemplo, marketing é uma das partes mais críticas do negócio. Mas, está longe da minha zona de conforto. Isso me dá um número infinito de desculpas para realizar tarefas técnicas mais “prioritárias”. Isso está totalmente errado e só recentemente consegui realmente compreender isso.

Agora, se percebo que estou fazendo alguma coisa confortável, sei que provavelmente estou dedicando meu tempo à atividade errada. Tem tanta coisa que preciso aprender e treinar em outros aspectos do negócio, que praticamente não há tempo a perder com o que faz parte da minha zona de conforto.

É preciso uma tremenda força de vontade para se lançar para fora da zona de conforto através de ações diárias. Exatamente porque essas ações necessariamente serão tão desconfortáveis até que todos os aspectos importantes do negócio sejam plenamente compreendidos e tratados.

Esse ano, por exemplo, decidi que deveria passar boa parte do meu tempo comunicando e fazendo marketing. É algo que venho negligenciando há tempos. Chegou a hora de resolver isso.

Comunicar é difícil. Mas, se eu não conseguir transmitir minhas ideias, ninguém vai saber do meu produto, não importa o quanto eu o considere incrível.

E você? Qual a sua zona de desconforto?

Por que os serviços são tão ruins no Brasil e por que precisamos das start ups

Por que os serviços são tão ruins no Brasil e por que precisamos das start upsCC by Thoth, God of Knowledge.

Sempre fui apaixonado por empreendedorismo. Por isso fiquei animado com o interesse crescente em start ups no Brasil. Mas, algo começou a me incomodar. Não conseguia entender direito a razão até pouco tempo atrás.

 

Um pouco de contexto

Viajar pelo mundo tem me ajudado a entender melhor o Brasil, não apenas o resto do mundo. Tenho aprendido muito sobre o meu país de origem ficando afastado dele. Um paradoxo interessante, que talvez possa ser explicado pelos novos pontos de vista que a gente ganha quando está viajando no exterior.

Uma importante lição sobre o mundo: não há um país perfeito. Há problemas seríssimos onde quer que se vá. Mas, também é verdade que em alguns países vive-se melhor que em outros.

Não acho que o Brasil esteja em uma posição assim tão ruim. Não é uma maravilha. Mas, provavelmente é melhor do que imaginamos. Seja como for, há muito espaço para melhoria, especialmente no que diz respeito a bens e serviços.

Bens e serviços brasileiros

Fico profundamente triste em escrever isso, mas acho que os produtos e serviços brasileiros estão entre os piores do mundo, embora também estejam, curiosamente, entre os mais caros. Permita-me ser bem específico a esse respeito. Não estou comparando o Brasil apenas aos países ricos. Estou me referindo aos mais de quarenta países que visitei, que vão desde pobres a países extremamente ricos. 

Nós, brasileiros, reclamamos o tempo todo da empresa de TV a cabo, da operadora de telefonia, da fornecedora de energia elétrica, do governo, do banco, das lojas, dos hospitais, das estradas, das escolas e por aí vai. São assim tão ruins? Sim, de um modo geral são mesmo. E se você passar um tempo fora do Brasil, aí então é que percebe que são realmente ruins. E além disso, são caríssimos. O que significa que, no Brasil, estamos sendo extorquidos a maior parte do tempo. Pelo menos esse é o meu sentimento quando estou no Brasil.

Essas coisas são perfeitas em outras partes do mundo? Não, longe disso. Mas, na média, diria que tendem a ser melhores e mais baratas. A gente realmente paga demais, no Brasil, por produtos que são uma porcaria e por serviços horrorosos. Mas, por que?

Algumas possíveis causas

Não sei as razões exatas, mas tenho um palpite sobre tudo isso. Talvez nós Brasileiros não percebamos completamente o quão populoso é o nosso país. São quase 200 milhões de pessoas no Brasil. Apenas quatro países são mais populosos: China, Índia, EUA e Indonésia. Temos no Brasil a metade da população da América do Sul. É um bocado de gente. 

Felizmente, temos nesse momento uma taxa de desemprego bem baixa. A média foi de 5,5% no ano passado (2012). E, na verdade, em dezembro foi de apenas 4,6%. Isso é bem baixo, especialmente para um país tão grande e tão populoso quanto o nosso. Apenas para efeito de comparação: Canadá 7,4%, EUA 7,7%, Reino Unido 7,7%, Finlândia 7,9%, Suécia 8,1%, França 10,7%, Irlanda 14,7%, Portugal 15,8%, Grécia 26% e Espanha 26%.

Se um país tem uma população tão grande e quase todo mundo está trabalhando, isso significa que existe muita demanda por bens e serviços e as pessoas podem pagar por eles. O que é uma ótima notícia.

Mas, também significa que as pessoas vão comprar bens e serviços independente de eles serem bons ou não. Quer dizer, se tem tanta demanda no mercado, então, não é necessário batalhar tanto para fazer um bom produto ou prestar um bom serviço. O basicão já dará conta do recado. E isso é exatamente o que acontece no Brasil.

Não importa tanto assim se você faz a sua parte bem ou não. Você vai acabar conseguindo vender de um jeito ou de outro. Simplesmente porque há muita necessidade e um monte de gente que pode comprar. Mas, a coisa é ainda pior.

Olhemos para a educação. Infelizmente, não importa que números analisemos. No que se refere à educação, o Brasil é uma tragédia. É simples assim.

As pessoas vão para a escola? Sim. Mas, a qualidade da educação geralmente é baixa. Logo, a maioria dos brasileiros consegue ler e escrever em teoria. Mal e porcamente. Há um pequeno grupo (comparando com o tamanho da população) que é extremamente bem instruído. Mas, a maioria das pessoas só tem uma educação bem básica mesmo. Isso é um problema gigantesco.

Se a maioria das pessoas tem uma educação ruim e quase todo mundo está trabalhando, isso significa que a maioria das pessoas que está trabalhando tem uma educação insuficiente. Então, é quase que natural que a gente receba produtos e serviços tão ruins. Porque para ter bons produtos e serviço, é necessário melhorar o nível geral de educação. E todos sabemos o quanto é imperativo melhorar a educação no Brasil. Porém, há algo além.

Como mencionei antes, há um grupo relativamente pequeno de pessoas muito bem educadas no Brasil. Um grupo que está conduzindo as empresas na figura de diretores, gerentes, donos de empresas, técnicos e por aí vai.

Como essas pessoas estão no topo da hierarquia corporativa, são essas pessoas que criam as regras dentro das organizações. Portanto, na verdade, essas são as pessoas mais importantes no que diz respeito a produzir bens e serviços de alta qualidade. Porque são as pessoas que determinam a direção das empresas.

Se eles decidem que as empresas deveriam investir mais em melhorar a qualidade dos produtos, ou investir mais no treinamento dos funcionários, então, assim será feito. Porque essas são as pessoas que têm o poder de fazer tais mudanças dentro das empresas. Essa galera é realmente importante. Se a gente quer ter melhores produtos e serviços, a gente precisa fazer essa galera adotar esse ideal e compreender que vão ganhar mais dinheiro como um resultado natural desse esforço.

O problema é que isso não vai acontecer. Essa turma a qual me refiro é um grupo extremamente bem educado de salafrários. Eles são instruídos e capacitados, mas não têm o menor padrão moral. O pessoal que está por trás das grandes empresas, no papel de diretores, gerentes e executivos de um modo geral, está ocupado demais ganhando rios de dinheiro vendendo porcaria e oferecendo serviços ruins. Tem um mar de gente comprando de um jeito ou de outro, seja o produto bom ou ruim. Então, para que fazer melhor? Tá chateado com a internet ruim, agradeça a esse grupo. Tá triste porque não consegue cancelar a TV a cabo, agradece a essa galera. Sinto muito, mas não tenho qualquer esperança de que melhorias venham dessas empresas ou dessa turma. Já estão corrompidos demais. É uma pena. 

As start ups

Todo ano sai das universidades brasileiras uma nova safra de pessoas bem instruídas. Não é muita gente, levando-se em conta o tamanho da população, mas é um grupo extremamente importante. Porque é o grupo que tem o maior potencial de melhorar as coisas, na minha opinião. Eles podem começar do zero, não precisam carregar o fardo do passado.

Infelizmente uma boa parcela desse pessoal decide fazer concurso público. E assim se perde um monte de talentos. Alguns vão ajudar a melhorar um pouquinho o governo e as empresas públicas, mas no geral é um tremendo desperdício de talentos, na minha opinião.

Outros vão trabalhar nas grandes empresas e se tornarão parte desse mundo que não dá a mínima para os clientes. Outro desperdício.

Alguns irão trabalhar em algumas das poucas empresa que são realmente legais e estão tentando fazer a diferença. E um minúsculo grupo decide empreender. Vão criar algum tipo de start up, eventualmente. Isso é ótimo.

Esse último grupo é extremamente importante. Porque tem potencial para trazer mudanças significativas ao mercado ao longo do tempo. É um grupo tão minúsculo e ao mesmo tempo com tanto potencial de melhorar a sociedade, que é crucial que eles escolham o caminho de forma bem cuidadosa.

Na minha visão, e posso estar completamente enganado, o movimento brasileiro de criação de start ups, se assim podemos chamá-lo, frequentemente tenta seguir os passos dos EUA. 

Dessa forma, existe todo um foco em tentar criar um conceito novo, testá-lo, ir para a rua, tentar achar um mercado, buscar investimento e assim por diante. Em outras palavras, há um foco bem grande na tentativa de criar novas ideias, novos conceitos. Afinal, inovação é o que importa, certo?

Bem, talvez não. É bem maneiro quando algo do tipo Airbnb ou Dropbox é criado. Mas, sejamos realistas, também é bastante raro. E é difícil inovar e transformar uma inovação em um grande negócio. Então, diria que talvez estejamos colocando atenção demais nessa coisa de inovar, quando em lugares como o Brasil, isso está longe de ser o problema mais crítico.

No Brasil as empresas, com raras e louváveis exceções, geralmente não fazem sequer o básico bem feito. Elas estão fazendo muita coisa errada o tempo todo, estejam elas produzindo bens ou prestando serviços. Então, o que precisamos, desesperadamente, é ter mais empresas que sejam capazes de pelo menos fazer o básico de forma adequada.

Estou me referindo aos tipos de empresas mais tradicionais que existem, como restaurantes, farmácias, supermercados, padarias, lojas de sapato, academias e por aí vai. Todos os setores da nossa economia ganhariam muito se houvesse mais dessas empresas tradicionais que simplesmente fizessem o básico direito. 

Por exemplo, em Niterói, onde morava antes, há inúmeros restaurantes. Se você me perguntar quantos bons restaurantes existem por lá, vou te responder: apenas dois. E quantos cafés são bons? Um! E em muitos setores não vou ser capaz de dar sequer um exemplo de empresa que seja boa. Temos várias empresas que são abaixo do que consideraria ok. Mas, pouquíssimas boas, seja do que for. E nem vou entrar no mérito das excelentes.

Acho bem legal ver start ups bolando novas ideias. Mas, na boa, tem um monte de tipos de negócios que são muito bem conhecidos e terrivelmente mal conduzidos no Brasil. Se alguém decidir criar uma empresa que faça o seu trabalho direito, em qualquer desses setores mais tradicionais, garanto que duas coisas vão acontecer: vai ganhar um bom dinheiro e vai ajudar a tornar o Brasil um lugar melhor. Precisamos desesperadamente de negócios “tradicionais”, bem conhecidos, sendo bem conduzidos.

A boa notícia é que, como esses tipos de negócios já existem há muito tempo, não é preciso inventar muita coisa. E, para ficar ainda melhor, sempre é possível pegar um avião e visitar uma parte do mundo que tenha excelentes exemplares do que você quer fazer.

Quer abrir um café? Dá um pulo em Buenos Aires e sai visitando um monte deles. Com certeza vai ter boas ideias de como criar um excelente café. Quer aprender como prestar o melhor serviço do mundo? Vai passar um tempinho no Japão. E por aí vai.

Inovação é maneiríssimo. Mas, nós, brasileiros, também precisamos desesperadamente de empresas em áreas tradicionais que realmente se importem com o cliente. A gente é capaz de fazer melhor. E se fizermos isso, o dinheiro vai vir naturalmente. Pode acreditar.

 

Até que ponto liberdade é importante para desenvolvedores de software?

Até que ponto liberdade é importante para desenvolvedores de software?

Foto de John Drake (CC).

Tive essa conversa diversas vezes nos últimos dias:

- E aí, quanto tempo vocês vão ficar em Istambul?

- Dois meses.

- Uau, dois meses! Mas, por que? O que você está fazendo? Trabalhando ou algo assim?

- Na verdade é meio complicado. A gente não tem casa em nenhum lugar do mundo. A gente fica viajando por aí. No momento decidimos passar dois meses em Istambul. Na maior parte do tempo a gente fica no apartamento, trabalhando remotamente para nossos negócios no Brasil.

- Que maneiro! Mas, o que você faz?

- Sou desenvolvedor de software. Só preciso do meu notebook e de acesso à internet. Então, não faz diferença o lugar em que estou no mundo.

- Uau, que privilégio! Que inveja de você. Sua profissão é maneiríssima, porque você pode trabalhar de qualquer lugar do planeta. Isso é fantástico. E para onde vão depois daqui?

- Não sei. Não decidimos ainda.

Tenho um sentimento esquisito toda vez que tenho essa conversa. É bom ser lembrado do privilégio que tenho como desenvolvedor de software, de poder trabalhar de qualquer lugar do mundo. Mas, não é bom ser lembrado de que tantos outros têm o mesmo privilégio que eu, mas o desperdiçam de alguma forma.

Existem muitos desenvolvedores de software por aí. Apenas alguns compreendem esse privilégio e o aproveitam. Por que? Preste atenção nas duas histórias abaixo:

Renato, o convencional

Vou descrever um cenário que acontece com frequência no Brasil, porque é o que conheço melhor, mas suponho que não seja muito diferente do que acontece em outras partes do mundo.

Renato acabou de passar para uma universidade pública. Portanto, não terá de pagar por sua educação e vai passar os próximos quatro anos no curso de ciência da computação.

No final do primeiro ano as ofertas de estágio começam a aparecer. Logo ele começa a trabalhar meio período em alguma empresa e ganha até muito bem para um estudante. Não demora para ter uma ideia brilhante: comprar um carro. Ele guarda o suficiente para pagar a entrada e compra o que pode até não ser uma Ferrari, mas é um carango respeitável.

Acaba a universidade e Renato é contratado em uma das muitas empresas que precisam desesperadamente de um desenvolvedor de software. Ele ainda está no começo de sua carreira, mas agora tem um salário bem decente para quem está no primeiro degrau da escada corporativa. Uma ideia inevitável lhe ocorre: deveria comprar a minha casa própria. Afinal, o que é mais importante do que ter uma casa própria?

Ele guarda o suficiente para a entrada e compra uma casa, que não combina muito com seu carro velho. Então ele troca o carro por um zero km, usando o antigo para pagar a entrada. Agora ele tem duas dívidas que irão corroer a maior parte do salário por muitos anos. Mas tudo bem, porque seu salário logo vai aumentar. 

Ele vai trabalhar para deixar de ser um programador, porque afinal, programar é uma atividade para iniciantes, assim ele pensa. Ele quer se transformar em líder técnico, arquiteto de software, analista de negócios ou em um gerente.

As coisas melhoraram, não só por conta da casa nova e do carro zero, mas também porque ele conheceu a mulher de sua vida. Eles namoram por um tempo e decidem se casar. Claro que tem que haver uma festa de casamento. O que significa um bocado de despesas adiante.

Agora Renato está casado. Ele paga as mensalidades do carro, da casa e mais as parcelas de vários itens do casamento que ainda não foram completamente quitados. Assim que ele e sua esposa voltam da lua-de-mel, a família comemora lhes enchendo o saco com um assunto bem específico, que é líquido e certo: quando é que o bebê vai chegar? Um casal precisa de um bebê com certeza. Pelo menos um para começar.

Eles estão casados há alguns anos e o bebê está para nascer. Sem problemas, porque a essa altura Renato já não é mais um programador. Ele está ganhando mais em um cargo gerencial. Ele envia emails, elabora planilhas e prepara relatórios como ninguém. De fato, uma excelente aplicação do tempo que passou na universidade.

Renato ainda tem alguns anos pela frente para chegar aos trinta. E a essa altura ele é tudo, menos livre. É um cara brilhante, bem educado, que ganha uma bela grana, mas que é incapaz de mudar a sua vida em qualquer sentido que deseje, porque tem responsabilidades e compromissos em excesso, cedo demais.

Silvio, o maluco

Agora vejamos o caso de Silvio, um dos colegas de turma de Renato. Assim como Renato, Silvio morava com a família quando entrou no curso de Ciência da Computação.

Na primeira semana da universidade Silvio, Renato e outros colegas estão almoçando quando escutam falar do Couch Surfing pela primeira vez. Renato não dá muita trela, mas Silvio decide dar uma olhada. Ele descobre, entre outras coisas, que diversas pessoas hospedam estrangeiros em casa com o objetivo de aprimorar o inglês. De fato, ele mesmo precisa melhora seu inglês, então pergunta aos pais se pode usar o sofá de casa para hospedar estrangeiros. Felizmente os pais dão sinal verde.

Alguns dias depois Silvio recebe seu primeiro visitante de Toronto, Canadá. Aí ele percebe o quanto seu inglês é ruim. Mas, dá tudo certo. Depois de alguns dias ele ganha um pouco mais de moral e se sente mais confiante para conversar em inglês com o canadense. Ele tem a sensação de ter aprendido muito mais assim do que nos seis anos que passou no cursinho de inglês.

A vida segue e ele hospeda mais um monte de estrangeiros, sempre tentando equilibrar o tempo que passa com seus visitantes e o tempo que precisa para estudar para a faculdade. Isso é tão desafiador que ele teve que aprender rapidamente a manter o foco e a priorizar. E como seu inglês rapidamente melhorou muito, ele conseguiu encontrar um estágio até antes do Renato. Seis meses antes, para ser mais exato.

No fim do primeiro ano, Silvio já tinha hospedado dezenas de pessoas. Quase todas o convidaram para uma visita em retribuição. Silvio ganha bem no estágio, mas guarda a maior parte da grana. Como mora com os pais, acha que não precisa torrar a grana de bobeira, até porque é sempre uma boa ter um dinheiro guardado para os momentos de aperto.

Jorge é um hóspede Argentino que se tornou muito amigo de Silvio. Ele insiste em que o Silvio vá visitá-lo durante as primeiras férias da universidade. A passagem aérea não é tão cara assim. Então, Silvio percebe que pode comprá-la sem ter que tirar muito de sua reserva financeira. E como ele vai ficar na casa de Jorge, de graça, decide ir.

Ele se apaixona pela Argentina e começa a aprender Espanhol com Jorge e seus amigos. Um deles também é desenvolvedor de software e está envolvido em um projeto de software livre bem legal. Silvio ainda não sabe programar tão bem assim, mas é convidado para o projeto e se empolga bastante com ele.

De volta à casa, Silvio continua estudando, trabalhando e hospedando viajantes do mundo todo. Mas, agora ele tem um estágio melhor graças as novas habilidades que adquiriu enquanto trabalhava no projeto de software livre e ao seu inglês fluente e espanhol iniciante. Ele ganha ainda mais, porém continua guardando a maior parte do que recebe. Ele não tem um carro, mas também não tem nenhuma dívida.

Quando termina a universidade, Silvio já viajou para mais de trinta países diferentes. Na maior parte do tempo visitando pessoas que ele hospedou no passado. Ele tem inúmeros amigos no mundo todo. Não só por conta do Couch Surfing, mas também em função do trabalho que andou fazendo em alguns projetos de software livre.

Exatamente por conta desses trabalhos, ele agora recebe ofertas de emprego de inúmeras empresas e algumas pagam muito bem. Ele escolhe uma e cai dentro. É meio longe de casa e vai ser um belo gasto de tempo no transporte, mas o trabalho parece bem legal.

Alguns meses depois, ele já está de saco cheio do longo percurso e do tempo que passa no transporte. Além disso, acha que já está mais do que na hora de sair da casa dos pais. Então, aluga um pequeno apartamento perto do trabalho. 

Ele tem um salário muito bom e já tem uma reserva financeira substancial para alguém com apenas dezenove anos. O que é até curioso se você pensar que ele já viajou para tantos países. Mas, sempre de forma bem barata, graças aos muitos amigos.

Ele aluga o pequeno apartamento e se assegura de ter ali um bom sofá para hospedar os viajantes. Já que são apenas cinco minutos do trabalho, não é preciso ter um carro. Às vezes ele até gosta de viajar de carro para lugares próximos. Nestas ocasiões ele aluga um carro apenas para o período da viagem, já que é muito mais barato do que ter um carro o tempo todo.

Dois anos depois ele recebe essa incrível proposta de trabalho. Mas, infelizmente é em um lugar bem distante, do outro lado da cidade. Depois de pensar um pouco, percebe que pode simplesmente se mudar para outro apartamento, mais perto do novo emprego. Já que ele não é dono do apartamento atual, não tem nenhuma dívida, nem nenhum tipo de obrigação, tem liberdade para sair rapidamente.

Alguns anos se passam e ele continua viajando bastante e aproveitando a ajuda e a hospitalidade dos locais, sempre usando um pouco de suas economias e economizando ainda mais, ficando na casa de um dos muitos amigos espalhados pelo planeta. E como ele é um desenvolvedor de software, um programador que só melhora com o passar do tempo, é muito respeitado na empresa em que trabalho. Então, seu chefe é bastante flexível quando ele deseja viajar por mais tempo e pede para trabalhar remotamente.

Um dia ele está viajando na Coréia do Sul quando conhece Daniela, a mulher de sua vida. Ela é uma estilista que está passando férias na Coréia do Sul e no Japão, dois paraísos para estilistas. Inspiração por todas as partes.

Acontece que Daniela não é apenas brasileira. Ela vem exatamente da mesma cidade em que Silvio mora, mas eles nunca se encontraram lá. Que loucura é a vida, né? Eles se encontram pela primeira vez a milhares de quilômetros de casa. E logo começam a namorar, assim que retornam ao Brasil.

Pouco tempo depois decidem se casar. Mas, como os dois adoram viajar, preferem guardar dinheiro para isso. Então, tentam evitar os altos gastos de um casamento. Organizam uma festinha bacana, mas nada grande, nem muito sofisticado. O importante é que não querem ter nenhum tipo de dívida por conta do casamento.

A propósito, eles ainda não querem comprar uma casa e se endividar de nenhuma forma. Então, alugam um outro apartamento para eles, no meio do caminho entre o trabalho de cada um. Não é grande, nem rebuscado, mas é aconchegante e eles gostam de lá.

Às vezes eles viajam por períodos mais longos e ela também consegue convencer seu chefe a deixá-la trabalhar remotamente nessas situações, que depois de um tempo começaram a se tornar cada vez mais frequentes. Até chegar a um ponto em que os dois convenceram seus respectivos chefes a deixá-los trabalhar de casa.

Eles começam a trabalhar em casa e passam muito mais tempo juntos. Mas, agora já não têm mais desculpas. Quando amigos de outros países lhes convidam para uma visita, eles já não podem recusar usando o trabalho como desculpa. Todos sabem que eles podem trabalhar de onde estiverem. Pobrezinhos, quando se dão conta, estão viajando pelo mundo permanentemente, porque realmente já não importa mais onde estejam. Eles conseguem trabalhar e viver uma vida maravilhosa pulando de país em país. Decidiram inclusive não ter mais uma casa, em nenhum lugar do mundo. Ficam vagando por aí, às vezes usando o Couch Surfing, às vezes usando o Airbnb para achar acomodação com preços mais baixos.

Sete anos depois do casamento eles decidem ter um filho. Então, consideram melhor voltar para o Brasil e ficar um tempo por lá.

Agora a vida é diferente. Eles alugaram um apartamento suficientemente grande e já não viajam mais tanto assim. Especialmente nos primeiros meses do recém-nascido. Mas, não demora muito para o bebê entrar no circuito e começar a viajar com eles. Até porque, os amigos mundo afora não vêm a hora de conhecer o pequeno Lucas.

Quanto a comprar a casa, Silvio e Daniela ainda não se decidiram. Eles nem sequer sabem onde gostariam de passar o resto da vida. Mas, quando decidirem já terão reserva mais do que suficiente para comprar uma casa à vista e com um bom desconto.

Até lá, estão livres para estar onde quiserem, quando quiserem e ainda assim trabalhar em suas respectivas profissões. Legal, né?

Liberdade para escolher o que fazer com seu tempo

Dinheiro é muito óbvio. Todo mundo trabalha por ele. Mas, tempo é o que realmente importa. Porque sempre dá para ganhar mais dinheiro, mas não é possível recuperar o tempo perdido. Então, diria que uma das coisas mais importantes nesta vida é ter liberdade para usar o tempo como a gente bem entender.

Há muitas formas de alcançar essa liberdade, especialmente para quem é um desenvolvedor de software. É preciso apenas ter atenção com as decisões que vão sendo tomadas pelo caminho. Até porque, a vida é curta demais para não prestar atenção.

Então, qual vai ser sua história? Convencional? Maluco? Comece a prestar atenção.

 

Couch Surfing

Sabe quando você percebe o quão idiota está sendo? Esse é o meu sentimento nos últimos dois dias. Permita-me explicar.

Nós estamos viajando pelo mundo há mais de dois anos e eu sempre me queixei de que deveria haver uma forma fácil de conhecer pessoas nos lugares em que estivéssemos. Porque conhecer os locais ou outros viajantes é sempre a melhor parte da viagem. Mas, como a gente pode fazer para chegar em uma cidade e se conectar com outras pessoas?

Na verdade, é bem fácil e a solução sempre esteve na ponta dos meus dedos. Eu é que não tinha tentado antes, até ontem. Provavelmente muitos de vocês já sabem que estou me referindo ao Couch Surfing.

Couch Surfing é um site criado há mais de uma década. Digamos que você tem um sofá na sua sala e gostaria de hospedar alguém. Você vai lá no http://www.couchsurfing.org, cria um perfil, anuncia ao mundo que você tem esse incrível sofá e logo as pessoas começam a perguntar se você poderia hospedá-las por alguns dias.

Você oferece o sofá, cama extra, quarto vago ou o que puder oferecer como uma cortesia. Você não pode cobrar por isso no Couch Surfing. Por outro lado, se você viajar usando o Couch Surfing, você tem a oportunidade de ficar na casa de alguém sem pagar nada por isso. Embora você sempre seja mais que bem-vindo a mostrar sua gratidão oferecendo um presente ou ensinando alguma coisa sobre seu país, como por exemplo, cozinhando alguma comida típica para seu anfitrião.

Isso é maneiríssimo, não é? Só que tem mais. A galera do Couch Surfing organiza inúmeras atividades durante todo o ano. E todo mundo é bem-vindo. Mesmo pessoas que nunca usaram o Couch Surfing para viajar ou para hospedar alguém, podem participar. Por exemplo, há diversos encontros, em inúmeras cidades. E foi assim que nós finalmente ingressamos nessa comunidade.

Em Istambul, há inúmeros encontros semanais. Teve um ontem à noite, em um bar, basicamente para socializar. E teve outro hoje à noite voltado para conversação em inglês. Nós estivemos nesses dois e foi uma experiência sensacional. Como é que nós deixamos isso passar por tanto tempo? 

Verdade seja dita, eu já tinha ouvido falar do Couch Surfing há um bom tempo. Mas, sempre que tentava usá-lo eu me frustrava e ficava um tanto intimidado com a interface do sistema. Ela é bem confusa. Não conseguia superar essa barreira, por falta de paciência. Mas, tudo mudou essa semana. Disse para mim mesmo: você tem que se empenhar e entrar nesse sistema porque deve haver algo fantástico que você está perdendo. E agora descobri que essa era a mais pura verdade.

Havia mais de 30 pessoas ontem à noite e mais de 40 hoje à noite. Na sua maioria, turcos. Portanto, estes encontros se revelaram perfeitos para conhecer alguns locais, bem como pessoas de outras origens que estão morando em Istambul. Mas, por que havia tanta gente?

Descobri ontem que viajar para o exterior não é tarefa fácil para os turcos. Parece que eles têm que pedir visto para a maioria dos países (felizmente não precisam de visto para o Brasil). Seja como for, muitos não têm condições de pagar por uma viagem. E aprender inglês na escola simplesmente não funciona. O ensino de inglês nas escolas tipicamente é fraco na Turquia, assim como no Brasil.

Só que aqui tem gente que tá muito a fim de aprender e praticar o inglês. E como muitos provavelmente não têm como pagar por um curso particular, eles vão a encontros para praticar o inglês com os estrangeiros que estão visitando a cidade, como a gente. E isso é  sensacional para todo mundo.

Eles têm esses encontros toda semana e está sempre cheio de gente. Mas, preste atenção em um detalhe fundamental. Estamos falando de sábado à noite! Eles se encontram para praticar inglês no sábado à noite! Isso é que é determinação.

A Pati e eu conversamos com várias pessoas hoje à noite. Muitos eram turcos, mas também conhecemos pessoas da Argélia, Canadá, Armênia, Romênia, Alemanha, Brasil, Bolívia, Síria e Luxemburgo. Então, aprendemos um pouquinho mais sobre cada um desses lugares. Aliás, eu até aprendi a jogar gamão. E ainda ganhei. Sorte de principiante, é claro. :-)

Lamento profundamente pelo tempo perdido, por não tentar usar o Couch Surfing antes. Mas, estou maravilhado por termos finalmente ingressado. E Istambul parece ser o lugar perfeito, já que a galera usa de verdade e funciona super bem.

Você pode encontrar o meu perfil no Couch Surfing em: http://www.couchsurfing.org/people/vinicius.m.teles.Couch Surfing

 

Nômade digital: efeitos sobre a produtividade

Eu e a Pati nos tornamos nômades digitais há uns dois anos. Desde então, estivemos em dezenas de cidades e países mundo afora. Mas, não se trata apenas de lazer. De fato, nós estamos trabalhando a maior parte do tempo, de onde quer que estejamos.

Trabalhar enquanto a gente viaja é bastante desafiador. Mas, só recentemente me dei conta de que é tão desafiador quanto antes. Nem pior, nem melhor. É basicamente o mesmo problema. Um tanto contraintuitivo, não é?

Quando eu tinha uma casa e um home office bacana, já era um tremendo esforço para conseguir finalizar algum trabalho. Eu trabalhava muito e estava sempre ocupado. Mas, produzir resultados significativos e chegar mais próximo de atingir meus objetivos era outra história, completamente diferente. É mais fácil se manter ocupado do que progredir.

Sempre tive muitas listas de tarefas, cada uma delas com zilhões de itens. Tantas coisas, de fato, que ficava difícil escolher. Quais as tarefas mais importantes para executar hoje? Essa semana? Esse mês?

Eventualmente escolhia alguma coisa, mas meus dias sempre eram preenchidos com todo tipo de distração. A propósito, as distrações são tantas atualmente e tão viciantes, que fica até difícil de acreditar que é possível produzir alguma coisa útil. Tenho que admitir que email, Facebook, Twitter, Pintrest, sites de notícias, só para ficar em algumas, tomam muito tempo. Tento lutar contra elas tanto quanto possível, mas elas sempre voltam e continuam me sugando. E poderia ser pior. Eu não assisto TV. Nunca! Imagina se assistisse. 

Quando estava no meu home office, outras distrações mundanas também tiravam um bom tempo. Algumas coisas realmente precisavam ser feitas e tomavam tempo que eu preferia estar dedicando ao trabalho. Mas, muitas outras poderiam ser evitadas.

Notei que nas viagens o padrão mudou, mas os resultados continuaram os mesmos. Ao invés de lidar com distrações triviais, eu precisava agir sobre questões bastante sérias diariamente. Por exemplo, onde vamos passar a noite hoje? Como fazemos para ir do aeroporto para o apartamento temporário quando chegarmos na outra cidade amanhã? A propósito, qual o melhor lugar para ficar nessa próxima cidade? Que país vamos visitar mês que vem?

Quando o assunto é viagem, Pati e eu temos responsabilidades bem claras. Ela tira as fotos, eu organizo a viagem. Portanto, cabe a mim fazer toda a pesquisa e decidir um monte de coisas todo dia. É um bocado de trabalho e toma tempo.

Então, assim como antes, não consigo ser tão produtivo com meu trabalho quanto gostaria. Costumava ser por conta de distrações triviais. Agora é por conta de necessidades muito mais básicas. Mas, no que se refere ao trabalho, o resultado final é o mesmo. Consigo entregar menos do que gostaria de admitir.

Venho pensando muito sobre isso ultimamente e agora tenho uma teoria. Acho que há uma forma de resolver essa questão e produzir mais usando uma ideia um tanto contraintuitiva. E se eu escolhesse dedicar meu dia a executar uma e apenas uma tarefa e efetivamente finalizá-la em um dia, independente do que acontecesse ao longo do dia? 

StartupDojo em Campo Grande, Mato Grosso do Sul

No último fim-de-semana estive em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, para participar do Circuito Empreendedor como mentor do StartupDojo, na companhia dos amigos Rafael Lima, Juan Bernabó e Edson Mackeenzy. Resultado? Adorei Campo Grande e a galera de lá. Fiquei super bem impressionado com a cidade e não vejo a hora de voltar! De quebra, ainda tive a chance de dar uma passadinha rápida em Bonito e também curti demais. Vou ter que voltar com calma, com a Pati, porque o lugar é muito legal!

Campo Grande fez com que me sentisse um idiota. Um fenômeno comum no Sudeste é que a gente acha que toda a ação se concentra no eixo Rio-São Paulo. E a gente tende a ignorar o resto do país. É uma atitude bem babaca, mas bastante comum. De repente a gente até lembra do Sul e Nordeste. Mas, Centro Oeste e Norte são como grandes vazios que estão lá e a gente acha que não tem ninguém, nem nada interessante. Quanto engano!
Infelizmente ainda não conheço a região Norte e meu contato com o Centro Oeste ainda é limitado. Fui a Brasília algumas vezes, mas só ano passado pude realmente conhecer melhor o lugar e a galera de lá, por convite dos meus amigos da SEA Tecnologia. Adorei a experiência e espero voltar muitas vezes.

Com Campo Grande a situação foi mais drástica. Fui sem nenhuma expectativa, como alguém que vai conhecer um lugar do qual mal escutou falar e não faz ideia do que irá encontrar. Mas, quando cheguei lá, me deparei com uma capital que não parece ter nada a ver com as demais capitais brasileiras que já conheci (mais da metade).

A impressão geral foi excelente, desde o primeiro momento. A cidade tem avenidas largas, tipo muito largas e completamente fora dos padrões das demais capitais. Pareceu-me bem organizada, com várias praças e áreas verdes legais e um transito que flui bem, justamente porque as avenidas são largas.
A galera nos levou na estação ferroviária para experimentar o Sobá. Que lugar maneiro! E que comida deliciosa! Adorei! Fico com água na boca só de lembrar. Também experimentei o Tereré e amei. O chato é que isso foi depois de ir no mercado onde vendem a erva. Durante a visita, como ainda não tinha experimentado o Tereré, não comprei erva para trazer. Depois que experimentei, não voltei mais ao mercado e voltei para o Rio de mãos vazias. Não consigo me perdoar. :-( Então, que isso seja um motivo para eu voltar logo a Campo Grande e dessa vez fazer direito: comer Sobá inúmeras vezes e trazer um carregamento de erva para preparar Tereré. :)

Lá em Campo Grande tive a oportunidade de conhecer uma galera muito legal e com uma tremenda iniciativa. A turma que participou do StartupDojo foi sensacional. Surgiram ideias maneiríssimas e a galera realmente se empenhou para realizá-las. No processo, acabei tendo conhecimento de várias iniciativas que surgiram em Campo Grande e que hoje são empreendimentos bastante relevantes e bem conhecidos, como é o caso do Reclame Aqui e do Portal Educação, entre outros.
Porém, uma das histórias que mais me marcou foi a do Guilherme Junqueira e do seu incrível exemplo de cidadania, que viabilizou a Incubadora Tecnológica. Essa história merecia ser contada zilhões de vezes Brasil afora. É muito maneira!

Meu amigo Saulo Arruda é quem me convidou para participar deste evento e eu lhe serei eternamente grato por essa oportunidade. Só assim pude compreender que Campo Grande é um segredo bem guardado. Uma cidade maneiríssima, com uma galera para lá de gente boa e simpática, que espero ter a chance de rever muitas outras vezes, já que Campo Grande agora é uma das minhas cidades favoritas no mundo. E não há nenhum exagero nisso, garanto!

Depois do evento, como teríamos que esperar até a segunda à noite para retornar ao Rio, eu e meu amigo Rafael Lima conseguimos agitar uma ida rápida a Bonito, com as dicas do Guilherme e do Saulo. Que bom que fizemos isso, porque apesar de breve, a visita à Bonito foi excelente e tivemos a chance de conhecer outro lugar ao qual teremos que voltar muitas outras vezes. Bonito realmente merece ser visitada! O pouco que vimos foi lindo e tudo lá nos pareceu muito organizado e profissional. Recebemos um serviço de primeira qualidade, com preço extremamente justo e um atendimento para lá de gentil.
Em suma, nesse último fim-de-semana tive a oportunidade de conhecer um pouquinho do Mato Grosso do Sul. E assim percebi o tempo perdido. É um lugar muito, muito, muito melhor do que eu jamais imaginaria e para onde deveria estar indo com frequência há tempos, ao invés de ignorar, como tão frequentemente fazemos aqui do Sudeste. Agora, a minha curiosidade também se estende aos demais estados do Centro Oeste, Norte e os que ainda não conheço do Nordeste. Espero corrigir essa falta grave o quanto antes, porque sei que a cada visita vou me surpreender positivamente.
O legal do Brasil é que a cada lugar novo que a gente vai, descobre que sempre tem uma galera gente boa fazendo coisas legais, mas que a gente não tinha nem ideia. Quero mais é conhecer essa turma!

Por fim, meu muitíssimo obrigado ao Saulo e ao Guilherme pelo convite e por viabilizar a nossa ida. E um obrigado enorme a todos que estiveram conosco nesse fim-de-semana e permitiram que tivéssemos um excelente primeiro contato com o Mato Grosso do Sul. Quero revê-los em breve e, sobretudo, quero revê-los inúmeras outras vezes. Campo Grande é que há! E, claro, meus parabéns a todos que participaram do StartupDojo e lutaram por suas ideias. Sei que ainda vou ouvir falar muito de vocês. ;-)


Não tira farofa comigo!

Quando estávamos no aeroporto de Larnaca, para fazer a viagem do Chipre para a Grécia, fomos surpreendidos por um erro no sistema da companhia aérea, que nos levou a intensas discussões antes do voo. Aproveitei o ocorrido para comentar sobre algumas pegadinhas das empresas aéreas, assim como a nossa atitude durante essa viagem, que nos ajudou a resolver esse problema de modo satisfatório.

Muito louco isso, né?

Esse vídeo supostamente é sobre a nossa breve visita à Nicosia, capital do Chipre. Mas, provavelmente a coisa mais marcante é o excesso de vezes em que digo: “muito louco isso, né?” :-)

Não era meu objetivo fazer isso, mas como se pode observar, aparecer em vídeo não é o meu forte. Então, dá um desconto e considere que ainda estou treinando. Ou então, zoa mesmo, porque tá merecendo. :p

Você conhece Larnaca?

Nunca ouviu falar de Larnaca? Então, se liga: